O ciclo de um guindaste ship-to-shore dura pouco mais de um minuto. Nesse intervalo o contêiner deixa o porão, cruza a borda do cais, desce sobre o terminal tractor e muda de responsabilidade. O registro desse instante costuma nascer de duas fontes: a ordem que o TOS emitiu antes do movimento e a conferência visual de quem está na operação.
Analíticos de STS mudam a origem desse registro. Câmeras e algoritmos de OCR e visão computacional instalados no próprio guindaste leem a carga enquanto ela se move, e cada ciclo passa a produzir um conjunto de informações verificadas, com imagem anexada.
A janela entre a ordem do TOS e a confirmação do movimento
A ordem do TOS descreve o que deveria ser movimentado. A confirmação de que aquilo de fato aconteceu chega depois, por apontamento, conferência documental e cruzamento de sistemas. Entre um ponto e outro existe uma janela em que o terminal opera com informação presumida.
Essa janela cobra em situações conhecidas de quem trabalha no cais:
Cada um desses casos vira reprocesso, e o reprocesso no cais para o portêiner, que dita o ritmo da atracação. A literatura de operação portuária mede a produtividade do cais em movimentos por hora por guindaste, com taxa bruta e taxa líquida, e a ANTAQ publica a prancha média de cada instalação brasileira pelo mesmo raciocínio. O Container Port Performance Index, do Banco Mundial com a S&P Global, transformou o tempo de navio no porto em métrica comparável entre portos. Toda parada para resolver divergência entra nessas contas.

Os nove analíticos de STS, e o que cada um resolve
| Analítico | Como funciona | Para que serve |
| Container Code | OCR identifica o número do contêiner nas laterais e nas portas, no formato CMAU 123456 7 | Identificar a caixa sem ambiguidade e comparar o movimento real com a ordem do TOS |
| ISO Code | OCR lê o código ISO de tamanho e tipo, como 22G1, 42G1, 45G1 e 45R1 | Confirmar tamanho e tipo físico do equipamento e detectar divergência com o cadastro |
| Door Direction | Visão computacional reconhece barras, dobradiças e geometria para achar a extremidade das portas | Determinar a orientação da caixa durante carga e descarga e validar a posição operacional |
| Weight Recognition | OCR lê as marcações de peso impressas no contêiner, MAX GROSS, TARE e NET | Validar características do equipamento e apoiar os controles de peso e de cargas pesadas |
| Hazardous Placard | Redes de visão identificam rótulos e placards de carga perigosa fixados na caixa | Verificar cargas IMO e IMDG, gerar exceção e confrontar a sinalização com a declaração no TOS |
| Seal Presence | Câmera de alta resolução analisa a região das barras de travamento e detecta o lacre | Sustentar segurança e controle aduaneiro, apontando caixa sem lacre ou com condição divergente |
| Terminal Tractor ID | OCR identifica o número pintado no teto ou outra marcação visual do terminal tractor e do ITV | Associar o contêiner ao veículo interno que o recebe ou entrega ao STS |
| Container Sequence | Visão computacional determina a posição relativa de dois contêineres movimentados juntos | Impedir a inversão de identificação em movimento twin, tandem ou no veículo |
| Damage Images | Câmeras registram imagens de alta resolução das diferentes faces durante o movimento | Criar evidência visual do estado da caixa para inspeção, claims e responsabilidade por avaria |
Vistos juntos, os nove cobrem três perguntas da operação.
Identidade: qual caixa passou e em qual veículo
Container Code, ISO Code, Container Sequence e Terminal Tractor ID formam a camada de identidade. O número do contêiner segue a ISO 6346, com três letras de código do proprietário, uma letra de categoria, seis dígitos de série e um dígito verificador calculado sobre os caracteres anteriores, o que permite validar a leitura no instante da captura. O código de tamanho e tipo completa a descrição física: 22G1 é um contêiner de 20 pés de uso geral, 42G1 é um 40 pés de altura padrão, 45G1 é um 40 pés high cube e 45R1 é um 40 pés high cube refrigerado.
A leitura do terminal tractor fecha o par entre carga e veículo interno sem depender de rádio ou de digitação no pátio. Em movimento twin ou tandem, a sequência garante que a caixa da esquerda continue sendo a caixa da esquerda em todos os sistemas.
Conformidade: o que a caixa declara sobre si mesma
Hazardous Placard, Seal Presence, Weight Recognition e Door Direction formam a camada de conformidade, e é a camada em que a leitura automática responde a exigência regulatória.
O placard de carga perigosa segue o Código IMDG, da Organização Marítima Internacional, obrigatório na sinalização física da unidade. Quando a câmera lê um rótulo que a declaração do TOS não prevê, a exceção nasce no cais, com imagem, e chega ao operador antes da estiva.
O lacre sustenta a cadeia de custódia aduaneira. Detectar a ausência no momento do movimento dá ao terminal a chance de registrar a condição com hora e imagem, material que a fiscalização costuma pedir depois.
O peso é um dado com responsabilidade formal desde julho de 2016, quando entrou em vigor a regra SOLAS de massa bruta verificada, a VGM, sem a qual o contêiner não embarca. A leitura das marcações MAX GROSS, TARE e NET valida as características do equipamento e apoia os controles internos de peso e de cargas pesadas.
A direção das portas parece detalhe até o momento em que a caixa desce girada em relação ao plano. O analítico identifica a extremidade correta e confirma a posição operacional durante a movimentação.
Evidência: o estado da caixa no momento em que ela passou
Damage Images é a camada de prova. As câmeras registram as faces do contêiner durante o movimento, em alta resolução, e esse acervo responde por inspeção, claim e discussão de responsabilidade entre terminal, armador e transportador. A evidência é produzida no instante do movimento, antes de qualquer pedido de inspeção ou abertura de claim.
O que muda na rotina do terminal
Com os nove analíticos operando no guindaste, o movimento real passa a ser comparado com a ordem do TOS no momento em que acontece. A operação ganha quatro efeitos práticos.
Como avaliar uma instalação de analíticos de STS
A avaliação dessa camada se apoia em sete critérios objetivos.
Do gate ao cais: a mesma leitura na jornada inteira
A leitura automática entrou nos terminais brasileiros pelo gate, com OCR de placa, contêiner e lacre e com o Gate Automatizado controlando a entrada e a saída de veículos. Os analíticos de STS estendem essa lógica para a ponta navio-terra, e o OCR nos equipamentos de pátio cobre o trecho intermediário.
Quando as três posições operam com a mesma base de leitura e integração, o terminal passa a ter uma linha do tempo contínua da carga: entrada pelo gate, movimentação no pátio, embarque ou descarga no cais, cada etapa com identificação, hora e imagem. É essa continuidade que sustenta rastreabilidade de ponta a ponta, conformidade em recinto alfandegado e análise de produtividade com dado próprio do terminal.
A Priime Tech projeta e integra essa arquitetura completa, do gate ao cais, com integração aos principais Terminal Operating Systems do mercado. Conheça as soluções da Priime Tech.
Perguntas frequentes
O que são analíticos de STS?
São as leituras automáticas feitas no guindaste ship-to-shore durante a movimentação do contêiner. OCR e visão computacional capturam identificação, código ISO, direção das portas, marcações de peso, placard de carga perigosa, presença de lacre, identificação do terminal tractor, sequência em movimentos duplos e imagens das faces da caixa.
Qual a diferença entre o OCR do gate e o OCR do STS?
O OCR do gate lê a carga na entrada e na saída do terminal, quando o caminhão está parado ou em velocidade baixa. O OCR do STS lê durante a movimentação entre navio e cais, em altura e com a caixa suspensa, o que exige posicionamento de câmera e tratamento de imagem próprios dessa condição.
Como os analíticos de STS ajudam em uma discussão de avaria?
As câmeras registram imagens de alta resolução das faces do contêiner no momento do movimento. Esse acervo fica associado ao contêiner, ao horário e ao equipamento, e serve como evidência em inspeção, claim e determinação de responsabilidade.
O que o sistema faz quando encontra uma divergência?
Gera uma exceção com o registro visual do movimento. O caso típico é o placard de carga perigosa que não corresponde à declaração no TOS, ou o contêiner sem lacre, situações em que a operação precisa decidir antes de seguir.
Analíticos de STS funcionam em guindaste que já está em operação?
Sim. A camada de leitura é instalada sobre o equipamento existente e integrada ao sistema do terminal. O projeto avalia a posição de câmeras, iluminação, infraestrutura de rede e a forma de integração com o TOS em uso.
O que é o código ISO lido pelo analítico?
É o código de tamanho e tipo definido pela norma ISO 6346, que descreve a dimensão e a característica física da unidade. Códigos como 22G1, 42G1, 45G1 e 45R1 identificam, respectivamente, um 20 pés de uso geral, um 40 pés padrão, um 40 pés high cube e um 40 pés high cube refrigerado.

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